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No Hospício

“A palavra não deve ser para a alma senão um sinal misterioso, muito discreto, muito austero, muito augusto, só perceptível à visão dos espíritos. Parece mesmo uma deplorável extravagância da nossa natureza incompleta este capricho de reduzir a medida e a cadência as grandes emoções a que a alma se exalça em certos momentos.” (Rocha Pombo)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A mente

Houve uma época em que ganhar brinquedos era o que precisávamos para ser feliz, um brinquedo novo nos deixava contentes por semanas. Agora, os objetos que compramos nos deixam contentes no máximo por um dia (o dia em que o usamos pela primeira vez) e depois se tornam mais uma peça insignificante do nosso campo de visão corrido e conturbado. Não há mais brinquedos que possam nos alegrar ou curar nossas lágrimas como antes.
Alguns de nós têm a visão do certo e do errado, sabe o que fazer, mas se deixa levar pelos impulsos e se atira no buraco, como um cego, mesmo não estando cego. É muito fácil dizer "faça isso, faça aquilo" para os outros, porque estamos do lado de fora do labirinto e temos um campo de visão bem aberto sobre aquela pessoa. Mas quando somos nós ali dentro, cometemos os mesmos erros porque somos nós ali sofrendo, lutando contra os moinhos de ventos invisíveis. Não enxergamos nada além do que está próximo de nós, não sentimos nada além da nossa própria dor. Entramos e saímos inúmeras vezes nos becos sem saída e passamos pelas brechas de saída sem entrar, com medo que nos leve a outro equívoco.

By Míriam Coelho

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