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No Hospício

“A palavra não deve ser para a alma senão um sinal misterioso, muito discreto, muito austero, muito augusto, só perceptível à visão dos espíritos. Parece mesmo uma deplorável extravagância da nossa natureza incompleta este capricho de reduzir a medida e a cadência as grandes emoções a que a alma se exalça em certos momentos.” (Rocha Pombo)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O que há?

E esse gosto na boca, tão amargo que preocupa?

É como se pudesse pressentir o queimado dos sonhos.

Eu não quero mais caminhar pelas estradas assimiladas

Aquelas que me condenei a transcorrer

Para perceber os erros que cometi ao deixar-me levar.

.

É tão bucólico o que anseio para meus dias, que

Não haveria sentido de tantos obstáculos dolorosos.

Mas eles brotam da terra com o mesmo fervor dos

Desejos mais complexos e sombrios que se possa ansiar.

Não adianta, a inquietude tende a me amedrontar.

.

É como se o meu eu de dentro chorasse antecipado

Para alarmar os olhos do meu eu de fora, tão ingênuo.

Não quero ser tão transparente para os que me vêem

E não quero complicar a minha verdade para mim.

Quero ser complicada para os que me vêem

E transparente apenas para mim mesma.

By Míriam Coelho

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