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No Hospício

“A palavra não deve ser para a alma senão um sinal misterioso, muito discreto, muito austero, muito augusto, só perceptível à visão dos espíritos. Parece mesmo uma deplorável extravagância da nossa natureza incompleta este capricho de reduzir a medida e a cadência as grandes emoções a que a alma se exalça em certos momentos.” (Rocha Pombo)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Advento desenho de amar

Das forças mais sutis do meu peito ferido,

Rega-se, ainda, o amor através da fonte,

Que, há tanto, jurei que tinha se enfadado.

Do meu peito, só ouço o escorrer suave, dentre os espaços,

O líquido que se funde e confunde com as lágrimas do ser.

O que há de tão oculto em seus olhos para atrair-me, tão de pressa,

Mesmo quando eu devia odiar-te por suas palavras tão mortais?

Você me funde no escuro e me confunde em tudo

É o meu eterno advento desenho de amar

Seus traços, sua voz, seus gestos, são meu ímã particular.

Eu deveria ter me protegido desde o início ao invés

De ter aproveitado essa essência tão próxima da minha.

Sua rotina, sua forma de amar não se encaixam na minha

E, ainda assim, quebro-me a mim mesma para que se encaixem.

Por Míriam Coelho

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