Havia uma época em que pessoas encontravam-se na frente de casa, à tardinha, depois de um longo dia de escola ou trabalho. Em outros lugares, devido ao meio habitacional e costumes distintos, as pessoas se reuniam numa roda de chimarrão, trajes revestidos de lã e botas campeiras. Mesmo nesses contrastes, a relação era de mesma verdade e intensidade. Falavam uns com os outros sem medos ou distâncias. Tínhamos deliberada força para lidar com os defeitos e desilusões de suas idealizações ao outro, nada que os fizesse excluir os depoimentos e deixar de ser fã no orkut. Não havia TV – até havia, mas era de preço muito inacessível para um objeto tão inútil –, nem computadores ou qualquer outra tecnologia atual. A interação era concreta mesmo.
Atualmente, ter um amigo é deixar um screep para ele com uma linda imagem colada de um site que já tinha as palavras prontas. Se o Fulano está de aniversário o nosso buddypoke canta parabéns e ainda entrega presentes. E quando achamos nosso colega de curso, ou escola, interessante, o seguimos no Twiiter. São todas ações virtuais, maquinais e frias, não dá para desconfiar, não? Mas os receptores sorriem e sentem o afago como se fosse concreto mesmo, não há clamores, basta fechar os olhos e “vivenciar”.
Há uma preferência por idealizar as situações ao nosso gosto e não vivenciamos o real e as pessoas com seus defeitos próprios de humanos. Nenhum “Bom final de semana”, cheio de ursinhos, arco-íris e estrelinhas, seria o mesmo que um desejo dito frente-a-frente, numa cruzada qualquer de calçada. Algumas pessoas preferem os namoros virtuais a dar uma chance ao amigo, sem nenhuma foto semelhante à imagem do Eduawrd, no álbum de fotografias. E assim as coisas vão evoluindo. Haverá um dia em que teremos filhos virtuais, através de um aplicativo no Orkut, o qual se pode criar e encomendar o bebê nas cores e formas que quisermos.
A amizade e o amor são muito mais do que palavras bem postas, retiradas de um programa que acha que sabe o que sentimos. Algumas pessoas, as que falei ali em cima, podem não perceber, agora, a frieza ridícula a qual submetem suas vidas, mas um dia acordarão do buraco onde se sujeitaram e terão que correr atrás de muitas horas perdidas em frente a uma máquina, presas em suas cavernas de titânio. Enquanto um mundo, muito maior que o próprio quarto, gira lá fora, essas pessoas continuarão aí.

"A amizade e o amor são muito mais do que palavras bem postas, retiradas de um programa que acha que sabe o que sentimos"é a pura verdade ...
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