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No Hospício

“A palavra não deve ser para a alma senão um sinal misterioso, muito discreto, muito austero, muito augusto, só perceptível à visão dos espíritos. Parece mesmo uma deplorável extravagância da nossa natureza incompleta este capricho de reduzir a medida e a cadência as grandes emoções a que a alma se exalça em certos momentos.” (Rocha Pombo)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Discussões Novas


Normalmente eu já ponho no título o tema do meu tópico, assim como inicio o diálogo com uma expressão que enfatiza o mesmo tema. Entretanto esse tópico é um tanto abrangente. Uma das minhas pertubações atuais é a verdadeira ignorância, não aquela que "fulaninho não entende a ideologia da coisa", mas a ignorância cega, aporrinhante, dos indivíduos que acreditam fielmente que são os donos da verdade e não admitem espiar o outro lado da moeda. Nem eu, que criei esse blog, acredito que tudo que escrevo aqui é verdade absoluta, também não saio divulgando ele alucinadamente na crença de despejar verdades na cara de pessoas, me igualando a certos indivíduos que se acham no direito de gritar na nossa cara que tais problemas são bobagem, enquanto que os deles (preferencialmente) são terríveis e dignos de compaixão (mas, segundo eles, jamais precisaram de uma compaixão). Ah, por favor!!!
Todos nós sofremos, passamos por momentos terríveis e dolorosos. Fato! Mas ninguém pode dizer que tal problema é pior ou melhor do que outro. Os fatos ruins se encaixam nas pessoas de modo tão profundo, particular, que não há um termômetro para medir os golpes mais violentos. Cada caso é um caso - baita clichê! A solidão, por exemplo, pode ter várias interpretações, boas e ruins, depende do receptor dela.
Agora não pense que estou dizendo que você, leitor, deve sair correndo e acariciar a criatura que se debulha em lágrimas porque seu cachorro preferido morreu. É um golpe forte para muitas pessoas, o animal de estimação tem sido um símbolo de identificação pessoal e afeto incondicional entre diversas sociedades do mundo. Porém não é isso que falo. As pessoas que sofrem, acredito que em muitos casos, não precisa de palavras fortes, conselhos mirabolantes e verdades ditas ao som acústico dos filmes na finaleira. Precisam apenas de um abraço, um olhar compreensivo. Uma demonstração sutil de afeto e crença. Saber, apenas, que alguém se importa com você. Isso vale muito mais que mil palavras e toda a coleção de volumes do Paulo Coelho!
O que me veio na lembrança, no final desse pensamento, é a falta que faz um olhar carinhoso. Um amigo, um familiar, um amor... que seja! Somos seres humanos, feitos para interação e união, não somos máquinas (o exterminador do futuro é só um filme de ficção científica - mesmo assim ele tinha sentimentos, não sei como, pelo garoto problemático!). É errado acreditar que todo mundo é/tem que ser de ferro e suportar tudo sozinho, só porque você suportou. Às vezes, com essa nova parceria, você pode resgatar a carência de apoio que ficou lá atrás. Tem gente que joga fora pessoas que as valorizam, somente para encher a cara, depois choramingar pelas sombras de músicas depressivas e dizer que é "o tal" por não se importar em perder alguém. Isso sim, na minha opinião, é fraqueza. Por que os fortes não têm medo de chorar. Os fortes não têm medo de dizer "eu te amo". Os fortes não têm medo de assumir seus erros. Os fortes não têm medo de enfrentar os desafios da vida de cara limpa. Os fortes não se escondem atrás dos erros alheios.
Tive grandes exemplos de fraqueza provinda de uma das pessoas mais próximas a mim, hoje o resultado da vida dessa pessoa é triste. Pode ter todo dinheiro que quiser, roupas, comida, casa, mas jamais terá o carinho dos filhos que magoou, a companhia de um marido, ou a paz de alguém que tentou fazer o melhor pelos outros. Egoísmo e fraqueza andam de mãos dadas em direção ao abismo. Se gostamos realmente das pessoas a nossa volta, por que não damos valor a elas, invés de viver esfregando na cara "eu posso te dizer adeus sem me abalar, por que não to nem ai"?

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