O amor? Havia uma fase em que sentíamos frio na barriga e uma estranha implicância com o tal coleguinha de sala de aula, ou o vizinho que brincava na frente da calçada. Mas nada de muito consciente ou forte a ponto de deixar-nos de “ovo-virado” o dia todo quando víamos o fofo (a) se agarrando com outro alguém. Todavia, então, essa fase passa e os amores que começam a surgir tornam-se dignos das lágrimas. Conhecemos, finalmente, a utilidade dos famosos lencinhos de papel. A parte ruim não é essa, contudo, e sim a noção da nossa fraqueza perante o desastre do amor não correspondido. Pois digo que para as lágrimas não tenho a resposta mesmo, temos de conviver com elas.
A barra é difícil e por mais que você chore, seu amor não surgirá atrás de você, no meio da multidão, te dizendo que também não consegue viver mais um dia sem você ao lado. Possivelmente aquele quem você ama, também tem uma caixa de lencinhos de papel ao lado da cama, sendo utilizada nesse exato momento. A única saída é entender que se ama bastante à ponto de sofrer, também pode amar bastante à ponto de libertar tudo e deixar que o outro viva com quem realmente será feliz. Não adianta dizer que será feliz contigo, porque não mandamos no coração de ninguém. Acredito que esse é um dos aspectos do amor: saber libertar. O mesmo amor que destinamos a nós mesmos quando não suportamos algo, nos libertamos de tal situação. Vai doer no início, o buraco no peito e a sensação de que todos os órgãos subiram e intalaram na garganta vai existir. Mas passa.
Também nos atraímos por aqueles seres complicados que saem por ai dizendo “ainda não podemos ficar juntos, só mais tarde” e outras mil histórias referentes ao futuro. Ah, por favor, né, que besteira! Tem pessoas que realmente amam complicar a vida e transformá-la num filme dramático de longa duração, tipo Pearl Harbor. Infelizmente essa história dos sentimentos separados do racional está impregnada na nossa essência desde as primeiras séries escolares. Os professores dão o conteúdo e não mostram a visão moral e sentimental da vida. O que é ruim. A pessoa cresce acreditando que os desejos materiais (ou racionais) valem mais que qualquer coisa e que não estão unidos a vida sentimental, “O que eu sinto vem depois!”, e deixam partir as chances de viver uma história legal por simples teimosia.
Então a desculpa é que no momento, tudo que precisam é construir suas vidas para depois o “resto”. O outro é rebaixado a “resto”. É isso que você quer? Quer saber? Se você gosta de alguém assim, e por mais que tenha tentado mostrar o erro desse pensamento, não deu certo, ignore e “parta para outra”! Esse tipo de pessoa tem pouco a te oferecer. A melhor companhia é aquela que acrescenta à alma, que corresponde o carinho e não aquela que tem pensamentos curtos e egocêntricos, achando que você vai esperar a vida toda. Por mais que essa cultuação ao material, separando o espiritual, esteja impregnada na escola, quem vive realmente, compreende que está tudo errado e que não existe emoção longe da razão. Tentar alcançar só uma dessas é como correr atrás do próprio rabo. É uma questão de maturidade e visão aberta.
Por fim tem aquela pessoa que te reconhece como um ser maravilhoso e que deveria te amar, mas não consegue. Então te prende, com os mais variados argumentos do tipo “ainda tenho que amadurecer, não podemos ficar juntos por enquanto”, o que gera bastante confusão; um caso bem semelhante ao segundo que citei. Esse é o mais doloroso dos amores não correspondidos, porque a pessoa não é sincera contigo, por mais que implore um “fora” para chorar, sofrer, esquecer e ser feliz como toda pessoa normal, o outro não permite. Prende você na gaiola das incertezas e promessas até o dia em que finalmente o seu amado encontra o verdadeiro amor em OUTRA pessoa e descarta você por definitivo usando as palavras “sinto muito, eu tentei, mas não era você”. Final feliz para os outros. Fuja dessas complicações também. Se dê o valor.
Está nas suas mãos ser feliz e não deixar-se cair no buraco das paixões, sim, paixões, porque se ele (a) não te ama, então não é amor. Amor vem uma vez só na vida, acontece entre dois e nunca vai embora. Faz bem a qualquer um e não mata ou corrói em mágoas. Quanto aos racionais e planejados no depois, esqueça-os. Deixe para que os trapesistas do circo caminhem na corda bamba. Valorize-se e quando finalmente o “ ser amado” cansar/alcançar o próprio rabo será tarde de mais, nada será como poderia ter sido, esperando o tal futuro.
By Míriam Coelho

Gostei da frase: "Se dê o valor". Simples, poderosa e é tudo que alguém que tá na situação de amor não-correspondido precisa. Valeu ;)
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